Contato (16) 98139 9519 / e-mail:marciabcavalieri@hotmail.com / PSICOTERAPIA DE CASAL E ADULTOS, ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO, ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL - O olhar da Psicologia unido à Filosofia proporciona questionamentos mais específicos. o Blog - http://marciapsic.blogspot.com/ - possibilita que essas reflexões não sejam exclusivas a acadêmicos ou estudiosos do assunto.
24 fevereiro 2012
PUNIÇÕES
Em algumas ocasiões podemos sentir falta de disponibilidade de toda a nossa energia para alcançar um objetivo específico. Podemos não entender o porquê de desejarmos algo e, experimentamos a sensação de não termos investido tudo na busca da realização desse desejo. Ou, podemos, em oposição, acreditar que dispensamos tudo ao nosso alcance e não ter sido o suficiente.
Então, a frustração como consequência disso é quase inevitável. Porém, é necessário tentar entender o ocorrido para alcançarmos uma compreensão do evento como um todo. Assim, poderemos conceber formas mais efetivas para a realização do desejado ou, quiçá, mudarmos nosso “desejo”.
No entanto alguns fatores podem interferir nesse processo de modo a nos “paralisar”. Se entendermos ser, de algum modo, a ausência de nosso esforço em prol do objetivo desejado a razão pelo fracasso dele, podemos experimentar a culpa.
Nesse caso, pode parecer importante perdermos algo para nos sentirmos “equilibrados” com o universo. Isto é, sentimos necessidade de uma “punição” do mundo. Para assim experimentarmos a sensação de estarmos quites com o universo quando disponibilizou para nós uma oportunidade “desperdiçada”.
Num exemplo, pode ocorrer de sabotarmos um prazer disponível como forma dessa punição ou, dispensarmos pequenos gestos dolorosos para com nós mesmos ao visar nos sentirmos “em paz”. Tais gestos podem ser de ordem física ou psíquica. O importante é nos mantermos atentos para nossas particularidades, especialmente nossas dores, para não incorrermos no risco de desencadearmos um processo de “autoflagelo”.
Elisabeth Kübler-Ross em seu livro - A Roda da Vida - afirma não podermos confiar no futuro, pois a vida é sobre o presente. Então, importante é buscarmos, no presente, maneiras de nos aproximarmos cada vez mais de nós, especialmente através do autoconhecimento. Assim estaremos mais aptos a identificarmos nossas mazelas e suas causas para, então, não necessitarmos estratégias “sutis”, como o punir-se consciente ou inconscientemente.
Márcia A. Ballaminut Cavalieri
Psicóloga CRP 06/95124
E-mail: marcia@maximizandoresultados.com.br
Esta consiste na 100ª. semana do blog marciapsc no ar.
A cada semana mais acessos ocorrem.
A cada um desses acessos muito obrigada, pela frequência e carinho de todos.
17 fevereiro 2012
SENHORES DO DESTINO
No dicionário Aurélio a palavra voracidade define alguém muito ambicioso e quiçá destrutivo. Melanie Klein, psicanalista, definiu neste termo quem não se satisfaz com o que lhe é ofertado. Isto é, quando alguém julga o que lhe é oferecido como não correspondente à satisfação de suas necessidades. Para essa pessoa o “mundo” estaria sempre tentando causar-lhe, de algum modo, uma lesão ou uma perda.
A todo o momento podemos nos encaixar ou encontrar alguém que se encaixe nesta definição. É comum nos colocarmos em posição de vítimas das circunstâncias sem levar em consideração os fatos. Acreditamos que as pessoas nos devem algo, ou que tudo referente a nós parece estar corrompido de algum modo.
Ao nos posicionarmos desta forma diante do mundo também nos colocamos em situação de não sermos capazes de fazermos avaliações mais claras e ponderadas. Muitas vezes, imbuídos desse sentimento de perda, impedimos nosso próprio desenvolvimento, permanecemos “paralisados” em determinado fato o qual pode não corresponder à realidade. Sempre ao sermos capazes de refletir sobre os fatos com a maior limpidez, possibilitaremos usufruir o máximo que uma situação pode oferecer.
O filósofo Sartre afirmou ser de salutar importância o que fazemos com o que o mundo nos oferta. Ou seja, qualquer fato ocorrido pode representar uma possibilidade de crescimento. No entanto, é necessário o nosso ponto de vista e nosso posicionamento em relação à situação.
O senso comum costuma afirmar ser uma oportunidade perdida impossível de ser recuperada. Nesse caso, o que ocorre é a necessidade de lidarmos com a nova oportunidade que surge em seu lugar, fazendo dela a nossa nova “ocasião favorável”.
Então, diante da possibilidade de mudança que permeia nosso existir a todo o momento, podemos assumir a responsabilidade por tudo o que envolve nosso crescimento pessoal. E, podemos iniciar nós mesmos esse processo, o qual pode contar com auxílio alheio ou não.
O importante é assumir estar em nós a possibilidade de usufruirmos das oportunidades que surgem. E, como afirma outro filósofo, Heidegger, ampliá-las também, para nos tornar, deste modo, senhores de nosso próprio destino.
Márcia A. Ballaminut Cavalieri
Psicóloga CRP 06/95124
E-mail: marcia@maximizandoresultados.com.br
10 fevereiro 2012
LIBERDADE: SONHO OU REALIDADE?
Uma das maiores expectativas em relação ao nosso desenvolvimento é adquirir a liberdade. Com ela imaginamos poder fazer tudo o que desejamos e gostamos. Imbuídos dessa ideia, em muitas ocasiões, nos expomos a situações no mínimo decepcionantes. No entanto, nem sempre conseguimos compreender o real motivo disso ocorrer.
A psicóloga Lídia Rosenberg Aratangy, em seu livro Doces Venenos, assinala que liberdade consiste em algo bem diferente de “só fazer o que se gosta”. Segundo ela, quem só faz o que gosta é louco, e não, livre. Pois, para exercitarmos uma escolha livre, em primeiro lugar, necessitamos nos conhecermos a ponto de identificarmos com clareza o nosso desejo ou necessidade. Para então, só depois saber quais opções possíveis e entender as consequências de cada uma das possibilidades de ação.
Assim, munidos desse repertório poderemos exercitar, com um pouco mais de chances de acerto, nossas escolhas. A isso se pode chamar liberdade. Aquela na qual consiste em colocarmos em prática nossa capacidade de escolha, como destaca Jean Paul Sartre, e inclusive ampliar nosso rol de possibilidades como distingui Martin Heidegger.
No entanto, para exercemos de maneira plena tal liberdade, necessitamos também nos habituarmos a reflexões para nos permitir um conhecimento mais amplo acerca de nossas condições reais e de nossos desejos.
Porém, nem sempre exercitamos o colocar em prática nossa capacidade em gerir nossas próprias ações. Muitas vezes depositamos no mundo a razão pelo nosso fracasso ou desilusão quando, na verdade, fomos os únicos artífices autores de nossas conquistas e perdas.
Contudo, assumir tal responsabilidade consiste em aceitarmos nossa condição de liberdade vinculada às consequências de nossas ações. Mas, nem sempre estamos dispostos a aceitar tal condição. Pois, ela representa sermos os condutores de nosso destino.
Desse modo, a melhor forma de buscarmos alcançar o “sonho de liberdade” é aprimorarmos as formas de conhecimento a respeito de nossas particularidades, para não nos tornarmos estranhos a nós mesmos. E assim, nos sentirmos confortáveis em nossa própria “casa”. Isto é, experimentarmos a sensação de familiaridade conosco e com nossos pormenores.
Márcia A. Ballaminut Cavalieri
Psicóloga CRP 06/95124
E-mail: marcia@maximizandoresultados.com.br
03 fevereiro 2012
SOMBRAS
O filósofo Heidegger afirma, em sua obra, necessitarmos da rotina para a manutenção de nosso bem estar. Segundo ele a certeza do que irá ocorrer no dia seguinte nos permite crer em nossa imortalidade e afastar de nossas preocupações a possibilidade do fim, isto é, de morrermos.
Certamente a sensação de segurança experimentada em nosso dia-a-dia é sumamente importante para nos implicarmos em novos caminhos, confiantes na continuidade de nosso existir, e usufruir desses caminhos. Entretanto, em muitas ocasiões, nos escondemos por traz dessa “segurança” e deixamos a vida transpassar por nós.
Platão, em “O Mito da Caverna”, trata da necessidade de contatarmos a luz da verdade para nos livrarmos da prisão em que a escuridão nos mantém. Essa alegoria pode ser analisada de diversas maneiras, uma delas é a de que muitas vezes nos mantemos obscurecidos por medo e incerteza, e eles nos aprisionam em um modo de agir o qual nem sempre permite alcançarmos nosso pleno potencial.
As sombras sob as quais nos dispomos, permitem a sensação de conforto e tranquilidade, mas também ofertam o comodismo e a inatividade. Ou seja, ao nos permitirmos usufruir as sensações de calmaria, possibilitamos também a oportunidade ao conformismo. E, podemos, inclusive, delegar a outros as justificativas e razões pelos nossos insucessos.
Uma forma de amenizarmos nossas dores é nos distanciarmos da responsabilidade por elas. Então, depositando no outro essa responsabilidade, seja esse outro alguém ou um evento, experimentamos o conforto de não estar em nós a possibilidade da mudança, ou seja, não somos nós quem podemos alterar o que culminou em nossa dor, mas esse outro.
Contudo, se nos mantivermos aconchegados a essa condição, também limitaremos nossas chances de enxergar além das sombras. E, submetidos à rotina, poderemos nos colocar em situação de perdas de oportunidades as quais não seremos capazes de ponderar.
Jostein Gaarder em O Mundo de Sofia finaliza sua estória convidando o leitor a estimular-se a despertar a curiosidade infantil um dia já experimentada. Para, assim, abrir-se às novas experiências, pois ao consentir a curiosidade, o indivíduo coloca-se em situação de explorar novas possibilidades também.
Então, seja a partir da luz da verdade sugerida por Platão, ou do despertar de uma “infantil” curiosidade, nos permitindo conhecer o que permanece obscuro, também concedemos “espaço” para o novo. Tal empreitada pode iniciar-se pelo autoconhecimento, delimitando nossas sombras individuais para que possamos vê-las e, desse modo, identificarmos sua origem para nos apoderarmos da oportunidade de modificarmos o contorno delas.
Márcia A. Ballaminut Cavalieri
Psicóloga CRP 06/95124
E-mail: marcia@maximizandoresultados.com.br
27 janeiro 2012
LIMITES
Como delimitar até onde podemos ou devemos ir e, como identificar o momento de finalizar algo? Tal decisão torna-se ainda mais difícil quando algo prazeroso está envolvido. Seja uma boa companhia, um alimento, uma bebida ou mesmo o simples estar em algum lugar.
O vício é um desregramento habitual, um costume prejudicial, ou seja, consiste em algo o qual nos habituamos a fazer e do qual temos dificuldades em nos privar. Em um primeiro momento ao falar-se em vício nos lembramos das substâncias ilícitas. No entanto, há diversas outras formas de vínculos viciosos. Pode ocorrer de nos acostumarmos a tal ponto a determinado modo de agir e nos tornarmos, por isso, “impossibilitados” de perceber seus malefícios para a nossa existência.
Em uma conversa dois amigos destacavam a dificuldade em distanciar-se dos companheiros quando estavam se divertindo, mesmo ao perceber um exagero. Porém, também salientavam os resquícios nos dias subsequentes causados pelos prejuízos de tal comportamento. Chamavam a atenção para a necessidade que há em termos algo ou alguém para nos “impor” alguns limites.
Como será possível estabelecermos tal critério para assumirmos nós mesmos os cuidados com nosso bem estar sem dependermos de outrem para tal? Ou seja, o que fazer para nos tornarmos capazes de cuidarmos dos nossos limites e excessos?
Jean Piaget, considerado um dos mais importantes pensadores do século XX, afirmou que um indivíduo pode ser considerado maduro a partir do momento em que tem internalizado as regras as quais é submetido durante seu desenvolvimento, isto é, quando o indivíduo não mais necessita de alguém para lhe sinalizar o que lhe será inconveniente ou não. Ele possui seu próprio repertório do que lhe convém ou não. Desse modo torna-se capaz de avaliar as consequências de seus atos e freá-los antes de um inevitável mal estar consequente a si mesmo.
Atualmente as pessoas constatam, com certa frequência, o quão difícil é conter-se diante dos prazeres imediatos. Em nome da satisfação sacrifica-se o bem estar sem analisar as perdas envolvidas em tal comportamento.
Uma maneira de iniciarmos um processo culminante em um maior cuidado conosco consiste em analisar quais são as reais perdas e ganhos de determinada ação. Desse modo, seremos capazes de decidir e escolher com maior segurança o que é ou não importante para nós, embasados em nosso repertório interno de “regras”, isto é, nosso repertório acerca do que nos faz bem ou não.
O modo de agir atual, fundamentado em estereótipos inatingíveis de perfeição, também nos apresenta o prazer incondicional e a satisfação plena como metas a serem atingidas. No entanto, a construção do nosso ser esbarra nas frustrações. E, são elas que nos ajudam a delinear nossos limites para que possamos cuidar de nosso bem estar de modo mais preciso e eficaz.
Então, quando nos permitimos excessos, sejam eles de ordem física, psíquica ou emocional, que nos conduzem a lamentar tal atitude no dia subsequente, pode ser uma advertência de que necessitamos exercitar um olhar mais crítico para nossos atos e comportamentos em relação a nosso bem estar. E assim, o privilegiar para que as consequências não alcancem o inevitável e reste apenas o remediar algo que poderia ser contido em outro momento.
Márcia A. Ballaminut Cavalieri
Psicóloga CRP 06/95124
20 janeiro 2012
CERTEZA DO INCERTO
Sempre ao nos arriscarmos em algo novo podemos contar com a certeza de que há a possibilidade de alcançarmos, ou não, nosso objetivo. É comum nos envolvermos em uma nova empreitada e não atentarmos para todas as suas possibilidades, especialmente para a chance de não conseguirmos o que queríamos.
Muitas vezes, envolvidos em nossos desejos, experimentamos certa dose de ansiedade. E esta pode ser em maior ou menor proporção. O importante é que ela, às vezes, permite termos um olhar mais “generoso” do que é real para a situação em questão. Esse comportamento pode nos conduzir ao risco de quando nos colocamos diante de uma incerteza.
Talvez, se fossemos capazes de avaliar “todas” as possibilidades de uma situação não nos arriscássemos e, então, poderíamos deixar de experimentar certa emoção. Contudo, também precisamos exercitar a atenção à possibilidade da perda. Isto é, de não conseguirmos o que desejávamos.
É preciso levar em conta que em tudo há ao menos duas conclusões, e uma delas pode não ser a que nos deixa mais satisfeitos. No entanto, estar atento à realidade é imprescindível. Precisamos sonhar e desejar, mas também precisamos estar atentos às nossas reais possibilidades, para que os sonhos e desejos tenham a oportunidade de tornarem-se realidades concretizadas e não apenas frustrações.
Todavia, é preciso lembrar de que as frustrações fazem parte do aprendizado de nossos limites e, o conhecimento deles nos permite a chance de extrapolá-los. Desconhecendo o limiar não se faz possível a transposição do mesmo. Em muitas ocasiões somente alcançamos determinado objetivo após experimentarmos o conhecimento acerca do limite o qual estávamos submetidos.
Desse modo, ao utilizarmos o aprendizado com as experiências vividas tornamos possível uma maior amplitude de nossos limites. E estes podem nos levar a empreitadas cada vez mais audaciosas. Assim, as chances de sucesso com elas podem se tornar mais elevadas, conforme conhecemos nosso potencial e nos tornamos “condutores” dele.
Márcia A. Ballaminut Cavalieri
Psicóloga CRP 06/95124
E-mail: marcia@maximizandoresultados.com.br
13 janeiro 2012
COMPETITIVIDADE
Em nossa sociedade é comum nos compararmos. É evidente a possibilidade de ocorrer um pouco de exagero nessa conduta. No entanto, a competitividade dos nossos dias leva à dificuldade em “resistirmos” a tentação de nos compararmos e, inclusive, competirmos para sermos melhores ou, quiçá, “o melhor”.
Essa competição e comparação podem nos levar a nos desapontamentos com nós mesmos diante dos resultados obtidos em nossa rotina. Não é raro, também, nos sentirmos insatisfeitos com algo em nossa aparência ou mesmo em nosso modo de ser.
Convivemos com um estereótipo de beleza e de modos de se comportar o qual tange a perfeição. Ele “propõe” que sejamos magros, saudáveis, felizes, bem sucedidos, pacientes, justos, adequados, sociáveis, entre tantas outras qualidades, as quais, definitivamente, apresentam-se inatingíveis para quem é um simples mortal.
Sendo assim, o que nos resta? Sentirmo-nos mal conosco. O principal aspecto a ser atingido com isso é nossa autoestima. E assim, como ter amor próprio se não somos como as regras da ordem social ditam? Como estarmos satisfeitos conosco se precisamos alcançar o estereótipo da perfeição?
A autoestima está diretamente relacionada com a satisfação experimentada em nosso dia-a-dia. O que ocorre é de estarmos tão envolvidos e preocupados com o que pensarão a nosso respeito que nos esquecemos de ficar atentos ao que pensamos sobre nós mesmos. Com isso, deixamos de prestar atenção às nossas qualidades e conquistas.
Então, se nos permitirmos um olhar mais “carinhoso” para conosco, poderemos também melhorar nossos sentimentos em relação a nós mesmos e, por consequência, melhorar nossa autoestima.
Não estar satisfeito com os próprios limites e querer ampliá-los é saudável, desde que não represente o sacrifício de nosso bem estar. As pequenas conquistas podem se esvaecer quando estamos mergulhados em situações à margem de nosso controle. No entanto é importante estarmos conscientes de nossos limites e, o mais importante, de nossas capacidades reais.
É preciso exercitar o respeito ao outro, mas especialmente o respeito a nós mesmos. Há limites em nós que podem ser ampliados, no entanto, há alguns limites pessoais que constituem nossa característica e o qual não é passível de mudança. Nos resta, portanto, identificar quais são uns e outros e nos movimentarmos em prol da mudança ou da compreensão e aceitação de quem somos.
Márcia A. Ballaminut Cavalieri
Psicóloga CRP 06/95124
E-mail: marcia@maximizandoresultados.com.br
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